Norte de Minas, pesquisas da Epamig e consórcio com banana impulsionam uma cadeia que já movimenta US$ 64,9 milhões em exportações
Foto: Diego Vargas/Seapa

Minas Gerais está se movimentando para transformar o estado em um novo polo nacional de produção de cacau. Com apenas 480 hectares plantados e ocupando o décimo lugar no ranking dos maiores produtores do país, o governo mineiro aposta em novas regiões de cultivo, parcerias científicas e inovações tecnológicas para mudar esse cenário. E e a data não poderia ser mais simbólica: as iniciativas ganham força justamente na semana em que se celebra o Dia Mundial do Cacau.

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O secretário de Agricultura, Thales Fernandes, é um dos maiores entusiastas da expansão do cacau em Minas e aponta o Norte do estado como área prioritária. Para ele, as condições climáticas da região, altas temperaturas e baixa umidade, aliadas a tecnologias de irrigação criam um ambiente promissor para a cultura.

“Outra estratégia tem sido o plantio consorciado com as plantações de banana. Um sistema agroflorestal que utiliza a bananeira como proteção para o cacau, garantindo sombreamento e umidade”, explica o secretário.

O município de Jaíba lidera a produção estadual com 256 hectares plantados, o equivalente a 53,3% de toda a área cultivada em Minas. Na sequência aparecem Janaúba (120 hectares), Bandeira (64 hectares) e Matias Cardoso (25 hectares).

Epamig testa cultivo a pleno sol no semiárido

Uma das apostas mais inovadoras vem da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig). Um novo projeto de pesquisa com novas cultivares de cacau está em fase de preparação. E deve ser implantado em abril de 2026 nos Campos Experimentais de Mocambinho e Gorutuba.

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“O objetivo é determinar a melhor forma de cultivar o cacau aqui na nossa região. Como estamos em uma área de semiárido, e o cultivo tradicional do cacau é feito à sombra, a proposta é justamente testar algo diferente: o cultivo a pleno sol e a aplicação de proteção solar parcial”, afirma Wlly Dias, pesquisadora da Epamig e coordenadora do projeto.

Os resultados serão comparados com plantas cultivadas em consórcio com banana. “Com isso, queremos entender se é viável produzir cacau aqui sem sombra ou se o sombreamento ainda é essencial”, acrescenta a pesquisadora.

A Epamig recebeu um convite para integrar o Centro Tecnológico de Cacau e Cultura de Regiões não Tradicionais, em parceria com as Universidades Federais de Viçosa (UFV) e de Lavras (UFLA). Reforço científico que, segundo Wlly, “favorece muito o trabalho em função da geração de conhecimento que a parceria proporcionará”.

Empregos e exportações em alta

Além do potencial produtivo, o cacau já se consolida como fonte relevante de renda no campo mineiro. Segundo Deny Sanábio, coordenador técnico estadual de fruticultura da Emater-MG, cada hectare plantado gera dois empregos diretos e quatro indiretos.

O crescimento foi tão expressivo nos últimos anos que a cultura passou a integrar oficialmente o levantamento de safra da Emater-MG, que monitora mais de 40 frutas no território mineiro. “A inclusão deste produto nos levantamentos ajuda na formulação de políticas públicas”, destaca Sanábio.

No campo das exportações, os números confirmam o potencial. Segundo a assessora técnica da Secretaria de Agricultura, Manoela Teixeira, Minas registra um volume total de 7 mil toneladas exportadas de cacau e seus derivados, entre chocolates, preparações alimentícias, cacau em pó, manteiga, gordura e óleo, movimentando US$ 64,9 milhões.

O desafio agora é transformar esse potencial em escala. Com Pará e Bahia liderando o ranking nacional, Minas Gerais quer mostrar que o semiárido e o cerrado também têm espaço, e condições, para produzir um cacau de qualidade.