tilápia
Tilápia representa atualmente cerca de 65% de toda a produção aquícola brasileira — Foto: Secretaria de Agricultura/MG

A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) reforça a importância da pesquisa científica para garantir uma produção sustentável de tilápia no Brasil. As ações da instituição buscam equilibrar a expansão do cultivo com a preservação ambiental, por meio de avanços em controle reprodutivo, melhoramento genético e sistemas produtivos mais seguros.

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O debate sobre a presença da tilápia ganhou destaque após a inclusão temporária da espécie na Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras, elaborada pela Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio). A tramitação da lista foi suspensa para reavaliação técnica, após manifestações do setor produtivo e de órgãos ambientais.

Segundo o pesquisador da EPAMIG Franklin Costa, é essencial diferenciar as definições técnicas: “A tilápia não é uma espécie invasora, mas introduzida no Brasil. Embora os impactos ambientais ainda sejam pouco estudados, a pesquisa precisa avançar para mitigar riscos e aprimorar o controle em sistemas de cultivo.”

Controle reprodutivo e inovação tecnológica

Entre as principais linhas de pesquisa estão o desenvolvimento e a aplicação de métodos seguros de controle reprodutivo. A instituição trabalha em conjunto com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para aprimorar a masculinização e a inibição da reprodução, fundamentais para evitar a proliferação em tanques e em ambientes naturais.

A equipe busca criar lotes 100% masculinos, reduzindo a margem de fêmeas férteis, ainda presente nos métodos convencionais. E também desenvolve novas técnicas de manipulação cromossômica e produção de tilápias estéreis.

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“O uso de lotes masculinos evita a reprodução indesejada e melhora o desempenho produtivo. Nosso objetivo é unir eficiência zootécnica e biossegurança”, afirma Costa.

Sistemas produtivos seguros e melhoramento genético

A EPAMIG também testa sistemas intensivos e controlados, como os de recirculação de água (RAS) e os de bioflocos (BFT), que mantêm o cultivo desconectado dos ambientes naturais. Essas tecnologias reduzem significativamente o risco de escapes e otimizam o crescimento dos peixes.

Foto: Ascom Epamig

No melhoramento genético, o foco está em desenvolver linhagens com alto desempenho em cativeiro e baixa sobrevivência fora dele. “Caso o peixe escape, sua chance de sobrevivência será mínima em comparação aos peixes de vida livre”, explica o pesquisador.

Apesar do avanço dos sistemas tecnificados, Costa ressalta que o objetivo não é substituir os modelos tradicionais, como tanques-rede e viveiros escavados. Mas torná-los mais seguros em fases críticas do ciclo de produção.

Resultados e impacto econômico

Os resultados das pesquisas ganham amplitude por meio de capacitações, dias de campo e materiais de apoio técnico oferecidos aos piscicultores.

A tilapicultura representa hoje um dos pilares da aquicultura brasileira. De acordo com a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR, 2025), o país produz mais de 600 mil toneladas por ano, movimentando cerca de R$ 7 bilhões e gerando milhares de empregos diretos e indiretos.