Resumo da notícia
- A queda de 30% a 40% no consumo de suco de laranja devido aos preços elevados reduz a demanda pela fruta, impactando diretamente os produtores do interior de São Paulo.
- Produtores como Lucas Ferrantes enfrentam prejuízos, vendendo caixas de laranja por valores abaixo do custo de produção, enquanto parte da fruta saudável não encontra compradores.
- A safra paulista 2026/27 deve cair 12,9%, afetada por fatores climáticos e bienalidade, dificultando ainda mais a comercialização em um mercado com menor demanda e preços pressionados.
A queda no consumo de suco de laranja já afeta diretamente os produtores do interior de São Paulo. Ao mesmo tempo em que algumas propriedades registram aumento na colheita, os citricultores enfrentam dificuldades para encontrar compradores e manter a rentabilidade da atividade.
Em Olímpia (SP), o citricultor Lucas Ferrantes Fonseca calcula que gasta R$ 35 para produzir uma caixa, mas recebe apenas R$ 22 pela venda. Dessa forma, o produtor enfrenta uma diferença de R$ 13 entre o custo informado e o valor recebido por caixa.
Mesmo assim, Lucas espera colher 30 mil caixas de laranja-pêra-rio nesta safra. O volume representa o dobro da colheita do ano passado. No entanto, depois de dois meses de trabalho, ele ainda não conseguiu vender metade da produção.
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Menor consumo reduz a procura pela fruta
Segundo Ibiapaba Netto, diretor-executivo da CitrusBR, os preços elevados registrados nos últimos três anos contribuíram para uma queda de 30% a 40% no consumo de suco de laranja. Com a demanda menor, a indústria reduz a procura pela fruta. Consequentemente, os produtores encontram mais dificuldade para comercializar a produção e enfrentam preços menores.
Em Guaraci (SP), o produtor José Humberto Gazoni adotou outra estratégia para reduzir os prejuízos. Ele decidiu substituir parte dos 12 mil pés de laranja-valência por mamoeiros.
Além disso, José relata que muitas frutas descartadas estavam saudáveis, mas não encontraram compradores. Enquanto isso, o preço da caixa de 40 quilos também recuou. Segundo o produtor, o valor chegou a R$ 70 no passado e atualmente está em R$ 33. Apesar das dificuldades, José pretende continuar produzindo laranja. Ele atua no mercado há 55 anos e mantém a atividade.
Safra paulista tem previsão de queda
Os relatos dos produtores acontecem, portanto, em um cenário de redução da produção no principal cinturão citrícola. De acordo com o Fundecitrus, a safra 2026/27 de São Paulo e do Triângulo Mineiro está estimada em 255,20 milhões de caixas de 40,8 quilos.
O volume representa uma queda de 12,9% em relação à safra anterior. Segundo o Fundecitrus, a bienalidade dos pomares, a menor quantidade de frutos por árvore, a queda prematura e os efeitos do clima e do greening estão entre os fatores que explicam a redução.
Por outro lado, Lucas espera aumentar sua colheita em relação ao ano passado. Esse resultado, porém, representa a realidade de sua propriedade e não indica crescimento da safra paulista como um todo.
Ainda assim, a dificuldade de comercialização pesa sobre a renda do produtor. No caso de Lucas, ele calcula uma diferença de R$ 13 entre o custo para produzir cada caixa e o valor que consegue receber pela venda.
Dessa forma, a queda no consumo de suco chega ao campo por meio da menor procura da indústria e da pressão sobre os preços pagos pela fruta. Para os citricultores, o desafio agora é comercializar a produção em um mercado com demanda menor.