Planta resistente à seca se torna opção viável para produtores que enfrentam dificuldades com o milho
sorgo
Foto: Sandra Brito/Embrapa

O sorgo começa a ocupar terreno no Brasil como alternativa viável para a silagem em áreas onde o milho não se desenvolve bem. A cultura, mais resistente à seca e de menor custo de produção, vem despertando o interesse de pecuaristas em regiões áridas, principalmente no Centro-Oeste e no leste do país.

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Arthur Behling Neto, professor da Universidade Federal de Mato Grosso, explica que o sorgo entrega segurança produtiva e bom desempenho nutricional para o gado, mesmo em condições climáticas adversas.

“No Brasil e nos Estados Unidos o milho ainda domina na ensilagem por sua excelente qualidade, mas o sorgo tem se mostrado eficiente em áreas de pouca chuva e menor fertilidade”, aponta Neto.

Além da tolerância ao clima, o sorgo garante vantagens econômicas. As sementes custam menos, exigem menos pesticidas e menor quantidade de fertilizantes. Portanto, fatores que pesam no bolso do produtor. Conforme os insumos sobem de preço, o sorgo se consolida como alternativa estratégica para reduzir os custos da alimentação animal.

Tipos e usos mais comuns

O Brasil cultiva diferentes tipos de sorgo, com destaque para as variedades graníferas, forrageiras e de biomassa. Segundo Neto, o sorgo forrageiro e o de biomassa se destacam na produção de silagem pela alta produtividade.

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“Estamos estudando híbridos que mantenham boa qualidade nutricional e ao mesmo tempo gerem rendimentos superiores”, explica o pesquisador.

Na pecuária de corte, o sorgo forrageiro e o de biomassa suprem as dietas com volume e fibra a baixo custo. Já os produtores de leite costumam utilizar o sorgo granífero, por possuir maior teor energético e menos fibra. O que o torna comparável ao milho.

Desafio de equilibrar produtividade e qualidade

A principal dificuldade da silagem de sorgo é conciliar volume e valor nutricional. Plantas graníferas são mais curtas e oferecem até 35 toneladas por hectare, mas apresentam maior concentração energética. Já o sorgo forrageiro pode alcançar até 80 toneladas por hectare, e o tipo biomassa supera 120 toneladas, embora com maior teor de fibra e menor proteína.

Para melhorar esse equilíbrio, a equipe da UFMT busca híbridos que mantenham alto rendimento sem comprometer a nutrição do rebanho.

Manejo e fermentação

O sorgo biomassa pode atingir até seis metros de altura e normalmente é colhido em dois cortes, realizados entre dezembro e abril, após o plantio de outubro. O ponto ideal para ensilagem ocorre com 28% a 30% de matéria seca, evitando grãos excessivamente duros.

O teor de açúcares naturais favorece a fermentação. As variedades forrageiras apresentam até 18% de carboidratos solúveis em água, enquanto o sorgo sacarino pode chegar a 35%. Esses açúcares geram fermentação eficiente, mas podem provocar formação de etanol, problema que pode ser controlado com aditivos adequados.

Mesmo com o avanço do sorgo, Neto defende que ele não substitui o milho, apenas complementa a silagem tradicional. “Ele é uma alternativa quando o milho não produz bem”, resume.

Em tempos de clima irregular e insumos caros, o sorgo surge como aliado da pecuária brasileira, garantindo flexibilidade e segurança alimentar para o rebanho.

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