Safra 2026 começa com resultado expressivo e reforça a importância cultural e econômica da pesca artesanal no litoral catarinense
Foto: Reprodução Redes Sociais

Um grupo de pescadores catarinenses capturou mais de 11 mil tainhas em uma única noite de trabalho no mar. Sem drones, sem tecnologia avançada e com muita experiência acumulada entre gerações.

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A operação exigiu horas de observação e coordenação entre os pescadores, que acompanharam o deslocamento do cardume durante toda a madrugada. A estratégia foi conduzir os peixes até uma área rasa, técnica conhecida no meio pesqueiro como “secar o peixe”. “De manhã deu certo”, contou o pescador Denir Matos, 71 anos, em entrevista à uma emissora local.

Uma tradição que atravessa gerações

A pesca artesanal da tainha vai muito além do ato de pescar. Em Santa Catarina, ela mobiliza famílias inteiras e comunidades costeiras que se reúnem nos ranchos espalhados pelas praias durante o período da safra. A vigília coletiva, o preparo das redes e a divisão do pescado fazem parte de um ritual que se repete há séculos no litoral do estado.

A tradição tem raízes na cultura açoriana, trazida pelos imigrantes que colonizaram o litoral catarinense a partir do século XVIII. Comunidades como Armação do Pântano do Sul, Barra da Lagoa, Pinheira e Imbituba preservam até hoje técnicas de pesca herdadas diretamente desses colonizadores. Em algumas dessas localidades, a chegada dos cardumes ainda ativa um sistema de vigias em pontos altos, os chamados “olheiros”, que avisam os pescadores quando avistam o movimento dos peixes no mar.

Foto: Reprodução Redes Sociais

A atividade integra o patrimônio cultural do estado e recebe reconhecimento oficial. A Secretaria de Estado da Comunicação de Santa Catarina emitiu comunicado no início da safra deste mês, detalhando as diretrizes para os trabalhos desta temporada. O governo estadual credenciou 419 licenças para a modalidade artesanal, o que evidencia sua relevância social e econômica. Para a pesca industrial com cerco/traineira, o limite fixado é de 720 toneladas, com operação também na Zona Econômica Exclusiva. As 15 embarcações credenciadas nessa modalidade dividem uma cota de 48 toneladas cada.

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Condições favoráveis anteciparam bons resultados

Antes mesmo do início oficial da temporada 2026, técnicos da Epagri e do Ciram já sinalizavam perspectivas positivas para a chegada dos cardumes ao litoral catarinense.

Os especialistas apontaram que a atuação persistente do vento sul e a diferença de temperatura entre o litoral de Santa Catarina e o estuário da Bacia do Prata criam condições ideais para o deslocamento das tainhas rumo ao estado. E os primeiros resultados da safra confirmaram esse prognóstico.