Resumo da notícia
- Os preços da tilápia recuaram em agosto nas principais regiões produtoras, pressionados pela menor demanda no Sul e Sudeste devido ao frio e ao comportamento sazonal de menor consumo.
- No Norte do Paraná, a cotação média caiu 1,26% em agosto, e nos Grandes Lagos houve recuo de 2,76%, com frigoríficos reduzindo compras diante da menor procura.
- O mercado iniciou setembro mantendo a tendência de baixa, influenciado pela demanda fraca e pela queda nas exportações, cenário que exige atenção dos produtores para as próximas semanas.
Os preços da tilápia recuaram em agosto nas principais regiões produtoras acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A menor procura por pescado, principalmente durante o período de frio no Sul e no Sudeste, pressionou as cotações. Além disso, o mercado manteve o movimento de baixa no início de setembro.
No Norte do Paraná, o produtor recebeu, em média, R$ 10,16 por quilo em agosto. O valor ficou 1,26% abaixo do registrado em julho. Já na região dos Grandes Lagos, no noroeste de São Paulo e na divisa com Mato Grosso do Sul, a cotação média alcançou R$ 9,51 por quilo, com recuo de 2,76% no mês.
Segundo o Cepea, as temperaturas mais baixas reduziram o consumo de pescado no Sul e no Sudeste. Consequentemente, os frigoríficos diminuíram as compras e contribuíram para pressionar os valores pagos aos produtores.
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Além disso, agosto costuma apresentar menor procura por pescado. Portanto, o comportamento sazonal do consumo reforçou a pressão sobre as cotações ao longo do mês.
Mercado já vinha sob pressão
O movimento de agosto não começou de forma isolada. Em julho, o Cepea já havia identificado enfraquecimento da demanda e sinais de recuperação da oferta de tilápia.
Nesse cenário, os produtores encontraram um mercado menos aquecido enquanto a disponibilidade de peixes aumentava gradualmente. Assim, o ritmo mais lento das negociações contribuiu para limitar a sustentação dos preços.
A situação merece atenção porque a tilápia ocupa a principal posição na piscicultura brasileira. Segundo a PEIXE BR, a espécie representa cerca de 65% da produção nacional de peixes cultivados.
Além disso, a piscicultura brasileira ultrapassou 1 milhão de toneladas de peixes cultivados em 2025. A produção de tilápia também apresentou forte expansão na última década, o que reforça o peso da espécie para a cadeia nacional.
Cotações continuam recuando em setembro
O mercado iniciou setembro sem interromper a trajetória de baixa. Na semana de 31 de agosto a 4 de setembro, o preço ficou em R$ 10,13 por quilo no Norte do Paraná e em R$ 9,49 por quilo nos Grandes Lagos, conforme o indicador do Cepea.
Nas outras regiões acompanhadas pelo centro de estudos, os valores chegaram a R$ 8,69 por quilo no Oeste do Paraná, R$ 9,28 por quilo em Morada Nova de Minas e R$ 9,47 por quilo no Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba no mesmo período.
Dessa forma, o mercado começou setembro ainda com a demanda como um dos principais fatores de pressão. No Norte do Paraná, por exemplo, a cotação de 4 de setembro ficou R$ 0,03 por quilo abaixo da média de agosto. Nos Grandes Lagos, a diferença chegou a R$ 0,02 por quilo.
Ao mesmo tempo, o comportamento das exportações também merece acompanhamento. Em julho, os embarques brasileiros de tilápia e de seus produtos secundários recuaram, segundo o Cepea.
Por isso, os produtores devem acompanhar nas próximas semanas tanto o ritmo das compras dos frigoríficos quanto o comportamento do consumo. Esses fatores podem influenciar a formação das cotações nas principais regiões produtoras.