Resumo da notícia
- A CNA defende o fortalecimento do seguro rural e incentivos financeiros para produtores que adotam práticas que reduzem perdas na agropecuária, visando maior proteção ao setor.
- O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) com níveis de manejo pode diferenciar condições de crédito e seguro, valorizando práticas que diminuem riscos climáticos nas propriedades.
- A proposta da CNA ainda depende de regulamentação e regras financeiras para ser implementada, representando uma mudança na forma de avaliar riscos no crédito e seguro rural.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) defendeu nesta sexta-feira (11), em Brasília, o fortalecimento do seguro rural e a criação de incentivos financeiros para produtores que adotam medidas capazes de reduzir perdas na atividade agropecuária. A entidade apresentou a proposta durante o evento “3 F: Futuro, Finanças e Florestas”, promovido pela Federação Nacional de Associações dos Servidores do Banco Central (Fenasbac).
Durante o painel “Caminhos de Convergência: Riscos, financiamento e conformidade no agro”, o diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi, destacou a importância do crédito rural para financiar a produção e apoiar a adaptação dos sistemas produtivos às condições de cada região. Além disso, segundo ele, o setor financeiro deveria considerar com mais atenção as medidas adotadas pelos produtores para diminuir a exposição a problemas climáticos.
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Práticas de manejo podem influenciar condições de crédito
Entre os instrumentos citados está o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) por níveis de manejo. O modelo considera, além das características regionais e das culturas, a forma como o produtor conduz cada área. Atualmente, a ferramenta está em fase de projeto-piloto e busca diferenciar as condições de produção conforme o manejo utilizado.
Nesse sentido, a CNA avalia que o mecanismo pode contribuir tanto para o seguro rural quanto para o crédito. Assim, produtores que adotam medidas de prevenção poderiam ter acesso a condições financeiras mais favoráveis, caso as instituições e os programas adotem esse critério.
Atualmente, o Zarc utiliza informações como clima, solo e ciclo das cultivares para indicar períodos de plantio com menor exposição ao risco climático. Com os níveis de manejo, o sistema também incorpora características relacionadas às práticas utilizadas na propriedade.
Proposta ainda depende de regras do setor
A defesa apresentada pela CNA, porém, não significa que as condições de crédito rural tenham mudado. A entidade propõe ampliar o uso de critérios relacionados à redução de riscos, mas a adoção de condições diferenciadas ainda depende das regras dos programas de crédito, das instituições financeiras e da regulamentação aplicável.
Além disso, a discussão envolve o seguro rural, que busca reduzir o impacto financeiro de perdas provocadas por eventos que afetam a produção. Nesse contexto, considerar as condições da área e as medidas adotadas pelo produtor pode ajudar a estabelecer diferentes níveis de exposição.
Para o produtor, portanto, a proposta pode ganhar importância caso esses critérios avancem para as operações de crédito e seguro. Por enquanto, no entanto, a iniciativa da CNA representa uma defesa de mudança na forma de considerar os riscos da produção, e não uma condição já disponível no mercado.