Região de Pelotas pode colher menos de 25 milhões de quilos, contra cerca de 50 milhões na safra anterior
pessego
Foto: Evandro O. Souza/Flickr

A safra de pêssego no Rio Grande do Sul enfrenta uma forte redução após meses de chuva e umidade. Além disso, episódios de granizo e geadas prejudicaram os pomares, principalmente durante a floração e o pegamento das frutas, fases decisivas para a formação da produção.

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Na região de Pelotas, principal polo de produção de pêssego para a indústria de conservas e doces, os produtores estimam uma queda superior a 50%. Segundo Adriano Bosenbecker, presidente da Associação de Produtores de Pêssego da Região de Pelotas (APPRP), a safra 2026/27 pode ser a pior dos últimos 15 anos. “No ano passado, na nossa região, colhemos em torno de 50 milhões de quilos de pêssego. Nesta safra, não devemos chegar a 25 milhões de quilos”, afirma. Além disso, Bosenbecker relata perdas ainda maiores nas áreas atingidas pelo granizo, onde os prejuízos variam de 80% a 100%.

Excesso de chuva prejudica formação dos frutos

Embora o granizo tenha causado danos, o excesso de chuva e umidade durante o inverno foi o principal fator de perda em Pelotas, segundo Edgar Martin Nörenberg, gerente-adjunto da Emater Regional de Pelotas. “Praticamente não tivemos sol no mês de julho e em agosto, quando os pessegueiros estão em floração. É uma fase muito crítica, com risco de doenças e problemas que interferem no pegamento dessa flor que vai se transformar na fruta”, explica.

Nesse período, o pegamento permite que a flor avance para a formação do fruto. Portanto, quando doenças ou condições climáticas desfavoráveis atingem essa etapa, parte das flores não consegue se desenvolver. Por esse motivo, os produtores quase não precisarão realizar o raleio em algumas áreas nesta safra. A prática consiste em retirar o excesso de frutas dos galhos para favorecer o tamanho e a qualidade dos pêssegos restantes.

“Muitos pessegueiros tiveram problema de polinização ou doenças nesta fase de transição da flor para a fruta, e agora os pêssegos não ficam viáveis e caem das árvores”, lamenta Nörenberg. Com isso, o gerente-adjunto da Emater estima que a perda de produção na região deverá superar 50% em relação a 2025.

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Serra gaúcha tem cenário menos grave

Enquanto Pelotas enfrenta perdas expressivas, a Serra gaúcha apresenta um cenário menos grave até o momento. Nessa região, os produtores destinam o pêssego principalmente ao consumo de mesa. Ainda assim, algumas áreas sofreram com granizo e geadas.

“Houve ocorrência de granizo também em algumas áreas, mas em menor quantidade do que em Pelotas. Também tivemos geadas recentes, que geraram alguns prejuízos, mas só nos próximos dias devemos ter uma ideia melhor do andamento da safra”, relata Thompson Didoné, chefe do escritório municipal da Emater de Bento Gonçalves.

Em Pinto Bandeira, maior produtor de pêssego de mesa do Rio Grande do Sul, cerca de 1 mil hectares são cultivados por aproximadamente 250 fruticultores. No município, as chuvas durante a floração e o pegamento provocaram o abortamento de frutas em algumas árvores. Até o momento, entretanto, o impacto é considerado insignificante.

Por outro lado, a previsão de frio para a segunda metade de setembro preocupa os produtores. Caso ocorram novas geadas, as temperaturas baixas podem ampliar os prejuízos nos pomares. “Pela expectativa climática, a safra deve ser menor do que no ano passado, quando tivemos um grande volume. Mas ainda esperamos uma colheita boa”, declara Rubiane Da Campo Rubbo, presidente da Associação dos Produtores de Frutas de Pinto Bandeira (Asprofruta).

Além das geadas, Rubiane também demonstra preocupação com novas ocorrências de granizo. “Mas temos a previsão de um El Niño bem intenso, e provavelmente haverá outras ocorrências de granizo, o que nos preocupa”, observa.