Controle pode render R$ 1.016 por animal manejado e elevar PIB em 0,15% até 2030, aponta estudo
Javali em lavoura de milho, ilustrando danos de espécie invasora à agricultura
Foto: Divulgação - FAEP/Senar-PR/CNA

O avanço de javalis e javaporcos já provoca perdas de até 40% em lavouras de milho em áreas severamente atingidas e eleva os custos do produtor com proteção e controle. Para coordenar uma resposta nacional, o Sistema Faesp/Senar realiza, no dia 15 de setembro, em São Paulo, o Fórum “Javalis e javaporcos: impactos, estratégias e ações coordenadas”, em formato híbrido, com participação de autoridades, pesquisadores e representantes da agropecuária.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

A espécie é considerada uma das 100 piores exóticas invasoras do mundo e já tem registros em 15 unidades da Federação. Além de consumir e destruir plantações, os animais provocam pisoteio, danos ao solo, cercas e estruturas das propriedades, o que aumenta os gastos do produtor rural. Um estudo econômico publicado em 2025 indica que, em cenário intermediário envolvendo milho, soja e cana-de-açúcar, o controle populacional poderia resultar, até 2030, em um PIB 0,15% superior ao cenário-base, com benefício estimado em aproximadamente R$ 1.016 para cada animal manejado.

Risco sanitário e Peste Suína Africana

Um dos eixos centrais do encontro é a sanidade animal. A programação conta com Lia Coswig, chefe da Divisão de Sanidade de Suídeos do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), e Diógenes Kassaoka, subsecretário executivo da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, entre outros especialistas. O objetivo é dimensionar os riscos associados à presença de populações de suínos selvagens e sua interação com rebanhos comerciais.

A maior preocupação é a Peste Suína Africana (PSA), enfermidade altamente contagiosa que afeta suínos domésticos e selvagens. Embora o Brasil permaneça livre da doença, uma eventual introdução poderia provocar graves consequências para a suinocultura, atingindo produção, exportações, emprego e renda, e exigir elevados recursos públicos e privados para contenção e erradicação.

Mapa do Brasil destacando 15 Estados com registros de javalis
Dados: IBAMA

“O Brasil conquistou mercados e credibilidade internacional porque construiu um patrimônio sanitário ao longo de décadas. Proteger esse patrimônio significa proteger o produtor, os empregos, nossas exportações e a segurança de toda uma cadeia produtiva. Na sanidade, não podemos agir apenas depois que o problema acontece. Prevenir é sempre o caminho mais seguro e menos oneroso”, afirma Tirso Meirelles, presidente do Sistema Faesp/Senar.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Manejo, legislação e compromissos práticos

O fórum também vai apresentar experiências práticas de manejo. Entre os palestrantes está Felipe Pedrosa, especialista e consultor da Mão na Mata – Manejo e Soluções Ambientais. Representantes do Ibama, ICMBio, Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS) e órgãos estaduais de defesa sanitária estão entre os convidados. A proposta é colocar na mesma mesa diferentes visões sobre legislação, controle populacional, conservação ambiental, produção agropecuária e defesa sanitária.

Mais do que uma sequência de palestras, o encontro foi desenhado para gerar convergência e ações. Pela manhã, os painéis discutirão a evolução da legislação, o panorama da presença dos javalis e os riscos sanitários sob as perspectivas nacional e paulista. À tarde, os organizadores apresentarão casos e propostas de controle. Em seguida, a equipe selecionará as ações prioritárias, considerando urgência, impacto, viabilidade e capacidade de articulação, e encerrará os trabalhos com a construção de uma matriz de compromissos, definindo ações, responsáveis e prazos.

“O produtor precisa sair desse debate com a perspectiva de soluções. Não basta reconhecer que existe um problema: é preciso definir responsabilidades, estabelecer prioridades e agir. Quando o javali invade uma lavoura, é o trabalho de uma família que está sendo destruído. Quando ameaça a sanidade, é toda uma cadeia produtiva que fica exposta. A Faesp quer contribuir para transformar conhecimento e diálogo em ação concreta,. Porque defender o produtor rural é também defender a produção de alimentos e o futuro do agro brasileiro”, conclui Tirso Meirelles.

Serviço

O Fórum Faesp/Senar – “Javalis e javaporcos: impactos, estratégias e ações coordenadas” ocorre no dia 15 de setembro de 2026, a partir das 8h30, em formato híbrido.

O encontro presencial acontece na sede da Faesp, na Rua Barão de Itapetininga, 224, 4º andar, República, São Paulo (SP). O público-alvo inclui produtores rurais, técnicos, lideranças sindicais e autoridades do setor agropecuário.