Resumo da notícia
- O Centro-Sul deve moer 640,7 milhões de toneladas de cana na safra 2026/27, 4,83% a mais que na temporada anterior, com aumento da área colhida e produtividade média de 79,32 t/ha.
- A produção de etanol deve crescer 10,11%, chegando a 27,01 bilhões de litros, enquanto a produção de açúcar deve cair 3,84%, refletindo mudança no mix industrial para maior participação do etanol.
- Apesar do avanço na produtividade, o ATR médio da cana deve recuar 1,69%, mas o ATR total deve crescer 3,06%, indicando maior volume total de açúcar e etanol produzidos na safra.
O Centro-Sul pode moer 640,7 milhões de toneladas de cana na safra 2026/27, segundo estimativa do Radar Compara de setembro, elaborado pela Pecege Consultoria e Projetos. O levantamento também prevê cerca de 14 milhões de toneladas de cana bisada, que devem ficar para o ciclo seguinte.
A Pecege calcula um potencial de moagem de 654,7 milhões de toneladas. No entanto, ao descontar a cana que deve permanecer para a próxima temporada, o volume efetivamente moído deve ficar em 640,7 milhões de toneladas. Assim, se a projeção se confirmar, o Centro-Sul processará 4,83% mais cana que as 611,2 milhões de toneladas registradas na safra 2025/26.
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Produtividade deve avançar 6,57%
A produtividade média dos canaviais deve alcançar 79,32 toneladas por hectare, alta de 6,57% em relação às 74,43 t/ha registradas na safra 2025/26. Além disso, a área colhida deve crescer 0,52%, de 8,211 milhões para 8,254 milhões de hectares.
Segundo a decomposição apresentada pelo Radar Compara, a produtividade parte das 74,43 t/ha da temporada anterior. Nesse cálculo, a idade dos canaviais acrescenta 0,51 t/ha, enquanto o clima adiciona 4,38 t/ha. Com isso, a projeção chega a 79,32 t/ha.
Por sua vez, a Pecege calcula uma área total de 9,35 milhões de hectares com cana-de-açúcar no Centro-Sul. Desse total, 8,08 milhões de hectares correspondem à área colhida, 1,10 milhão de hectares à área de plantio e 180 mil hectares à cana bisada. Dessa forma, a taxa de plantio chega a 11,74%.
Até 16 de agosto, as usinas do Centro-Sul haviam processado 361,6 milhões de toneladas de cana. A partir desse ponto, o levantamento projeta mais 266,2 milhões de toneladas até dezembro e uma moagem média de 12,9 milhões de toneladas entre janeiro e março.
ATR deve recuar
Apesar do aumento previsto na produtividade, a Pecege projeta queda no ATR médio da safra 2026/27. O indicador deve ficar em 135,46 quilos por tonelada de cana, 1,69% abaixo dos 137,79 kg/t registrados em 2025/26.
Em sentido contrário, o ATR total deve crescer 3,06%, de 84,21 milhões para 86,79 milhões de toneladas.
Esse movimento ocorre mesmo com a previsão de maior produtividade agrícola. Enquanto a produtividade deve subir 6,57%, o ATR médio recua 1,69%. Assim, a projeção combina mais toneladas de cana por hectare com uma quantidade média menor de ATR por tonelada processada.
Etanol ganha espaço no mix
Ao mesmo tempo, o levantamento aponta mudança na destinação industrial da cana. A participação do açúcar no mix deve cair de 50,38% para 47,01%, enquanto a do etanol deve subir de 49,62% para 52,99%.
Como resultado, a Pecege projeta uma produção de 38,88 milhões de toneladas de açúcar no Centro-Sul, queda de 3,84% em relação às 40,43 milhões de toneladas da safra anterior.
Já a produção de etanol de cana deve alcançar 27,01 bilhões de litros, crescimento de 10,11%. Desse volume, a projeção indica 17 bilhões de litros de etanol hidratado, alta de 11,71%, e 10,01 bilhões de litros de anidro, avanço de 7,50%.
Por fim, ao incluir o etanol de milho, o levantamento projeta 37,06 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27. Desse total, 22,25 bilhões de litros seriam de hidratado e 14,81 bilhões de litros de anidro.