Resumo da notícia
- O Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil enfrentam uma onda de calor com temperaturas acima de 40 °C até quarta-feira, com alerta para cidades como Cuiabá e Campo Grande.
- A combinação de chuvas recentes e calor intenso preocupa agricultores, pois aumenta o risco de doenças, podridões e perdas na produção de frutas, verduras e legumes.
- Temperaturas elevadas podem prejudicar o desenvolvimento das plantas, afetando a qualidade e produtividade de culturas como alface e tomate, dependendo da fase de crescimento.
Depois de semanas com chuvas em diferentes regiões produtoras, uma onda de calor começa a atingir áreas do Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil neste sábado (26). O Inmet prevê temperaturas acima de 40 °C em algumas localidades, enquanto agricultores precisam acompanhar de perto as condições das lavouras.
O aviso vermelho para onda de calor permanece vigente até quarta-feira (30). Segundo o instituto, Cuiabá (MT) pode chegar a 41 °C no domingo (27) e na segunda-feira (28), enquanto Campo Grande (MS) pode alcançar 40 °C. O episódio também abrange áreas de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Além disso, o Inmet explica que uma temperatura acima de 40 °C, isoladamente, não caracteriza uma onda de calor. Para classificar o fenômeno, o instituto considera a permanência de temperaturas pelo menos 5 °C acima da média climatológica durante cinco dias consecutivos em determinada localidade.
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Chuva e calor aumentam a atenção no campo
A mudança no tempo ocorre depois de períodos de chuva em diferentes regiões produtoras. Por isso, a combinação entre excesso de umidade e temperaturas elevadas merece atenção, principalmente em frutas e hortaliças.
Segundo Marco Antonio, sócio-fundador da Rural Clima, o excesso de chuva já trouxe dificuldades para parte do setor de hortifruti.
“O excesso de chuvas na metade sul do Brasil nas últimas semanas afetou bastante todo o setor hortifruti e o outro ponto é com relação ao El Niño. Estamos caminhando para um fenômeno de forte intensidade que está trazendo as chuvas mais precocemente para as regiões Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste”, afirmou.
Nesse cenário, frutas, verduras e legumes podem enfrentar problemas de qualidade quando a umidade elevada favorece doenças, podridões ou perdas durante a colheita e a comercialização.
Ainda assim, o impacto varia conforme a cultura, a região e a fase de desenvolvimento. Portanto, a ocorrência de chuva seguida por calor não significa, por si só, que haverá perda generalizada.
Calor pode prejudicar hortaliças
A Embrapa aponta que cada espécie apresenta uma faixa de temperatura mais adequada ao desenvolvimento. Quando o calor ultrapassa os limites de tolerância, a planta pode reduzir o crescimento ou apresentar problemas em fases específicas.
No caso da alface, temperaturas elevadas podem antecipar o florescimento de variedades menos tolerantes ao calor. Com isso, o produtor pode perder qualidade comercial antes do momento ideal de colheita.
Já no tomate, temperaturas muito altas podem prejudicar a produção de pólen e comprometer a formação dos frutos. Assim, o problema não está apenas na temperatura máxima registrada, mas também na duração do calor e no estágio em que a planta se encontra.
Nas frutas, a umidade anterior também pesa. A Embrapa, por exemplo, aponta que o excesso de chuva durante a maturação da melancia pode prejudicar a conservação após a colheita.
Por isso, mesmo quando a lavoura mantém parte da produção, o produtor pode enfrentar redução do volume comercializável e aumento das perdas ao longo da cadeia.
Preço dos alimentos depende da oferta
O impacto sobre os preços também não ocorre de maneira automática.
Em determinadas culturas, o calor pode acelerar a maturação e aumentar temporariamente a oferta. Levantamentos do Hortifruti/Cepea sobre o tomate mostram que esse movimento pode ocorrer em períodos de temperaturas mais elevadas.
Por outro lado, se o clima provocar perdas e reduzir o abastecimento posteriormente, a pressão sobre os preços pode mudar de direção.
Dessa forma, o comportamento do mercado dependerá da combinação entre produção, qualidade, ritmo de colheita, perdas e oferta nas centrais de abastecimento.
Soja também entra no radar
Enquanto frutas e hortaliças enfrentam o calor, o clima também interfere no início da safra de grãos.
A soja 2026/27 entra no período de implantação em importantes regiões produtoras. Nesse momento, a disponibilidade de água no solo ganha peso para definir as condições de semeadura e o estabelecimento inicial das plantas.
Por isso, o calor precisa ser analisado junto com a umidade do solo e a previsão de chuva. Uma sequência de dias quentes pode ter efeitos diferentes dependendo das condições encontradas pelo produtor em cada região.
O Inmet prevê, justamente, diferenças importantes entre as áreas do país nos próximos dias. Enquanto partes do Centro-Oeste, Sudeste e Sul enfrentam calor intenso, outras regiões ainda podem registrar chuva.
El Niño mantém o cenário climático sob atenção
O episódio de calor ocorre, ainda, em meio ao fortalecimento do El Niño.
Na atualização de setembro, a NOAA informou que existe mais de 90% de probabilidade de ocorrência de um El Niño forte durante o outono e o inverno do Hemisfério Norte de 2026/27. Para o trimestre de outubro a dezembro, a agência estima 75% de chance de o fenômeno atingir intensidade considerada histórica pelo índice utilizado no monitoramento.
Entretanto, isso não significa que cada episódio de chuva ou calor possa ser atribuído diretamente ao El Niño. O fenômeno altera probabilidades climáticas, mas os efeitos variam entre regiões.
Assim, para o produtor, o acompanhamento da previsão local continua sendo a principal referência. A combinação entre temperatura, chuva e umidade do solo pode definir impactos diferentes até mesmo entre propriedades próximas.