Publicações nas redes sociais alegam adição de "produtos químicos tóxicos" ao café em 2026; Anvisa nega qualquer alteração
Um xícara de café
Foto: Rodarte/Agro em Campo

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) derrubou nesta semana um boato que circula nas redes sociais e associa o consumo de café à calvície. Segundo a agência, a indústria não alterou a composição do café vendido no Brasil, e nenhuma mudança recente na fórmula justifica a queda de cabelo atribuída ao produto.

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As publicações que circulam online afirmam, sem apresentar provas, que fabricantes passaram a adicionar “produtos químicos tóxicos” ao café em 2026, com aval da própria Anvisa. A agência classifica a alegação como falsa e sem respaldo em normas sanitárias ou evidências científicas.

O esclarecimento sobre o café integrou um conjunto mais amplo de alertas que a Anvisa divulgou nesta semana. A agência também desmentiu a informação de que a hantavirose seria efeito colateral da vacina contra a Covid-19 e alertou para um golpe que usa o nome da instituição para vender falsas canetas emagrecedoras.

O que diz a regulamentação sobre o café

A Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 716/2022 segue vigente e continua regulando os padrões de identidade, qualidade, composição e segurança do café comercializado no país. A norma não passou por nenhuma mudança relacionada a ingredientes ou aditivos autorizados.

Atualmente, apenas quatro tipos de aditivos podem entrar na composição de determinadas categorias de café: três acidulantes e um aromatizante natural ou idêntico ao natural. Nenhuma substância nova entrou na lista, o que reforça a inconsistência das alegações que circulam nas redes. Quem quiser conferir os aditivos permitidos para o café e para outros alimentos no Brasil pode consultar o painel disponível no site da Anvisa.

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Vale lembrar que, embora não tenha relação com o boato da calvície, a Anvisa determinou em 2025 o recolhimento de três marcas de pó para preparo de bebida sabor café (Master Blends, Melissa e Pingo Preto) após inspeção do Ministério da Agricultura constatar irregularidades na produção. O caso não envolve o café tradicional nem a alegação de mudança de fórmula que motivou o novo alerta.

Café realmente provoca queda de cabelo?

A ciência não confirma nenhuma relação direta entre o consumo de café e a calvície. A alopecia androgenética, forma mais comum de perda permanente dos fios, decorre principalmente de fatores genéticos e hormonais, não da dieta.

A Anvisa também aponta outras causas comuns para a queda de cabelo: estresse, alterações hormonais, deficiências nutricionais, doenças e o uso de determinados medicamentos. O consumo regular de café não consta na lista de causas reconhecidas para a calvície.

Em casos de consumo excessivo de cafeína, algumas pessoas podem apresentar aumento dos níveis de estresse. Esse efeito indireto pode, em tese, contribuir para o eflúvio telógeno, tipo de queda temporária de cabelo desencadeada por estresse físico ou emocional. Ainda assim, isso não torna o café causador da calvície.

Curiosamente, pesquisas científicas investigam hoje o efeito oposto: a aplicação de cafeína diretamente no couro cabeludo, presente em loções e xampus, vem sendo estudada por seu potencial de estimular os folículos capilares e fortalecer o crescimento dos fios.

Quando procurar um dermatologista

Quem perceber aumento da queda de cabelo ou redução da densidade dos fios deve buscar avaliação com um dermatologista. O especialista consegue identificar a causa real do problema, genética, hormonal, nutricional ou relacionada a alguma condição de saúde. E indicar o tratamento mais adequado para cada caso.

A Anvisa recomenda que a população desconfie de publicações que atribuem mudanças de fórmula ou riscos à saúde sem citar fontes oficiais. Antes de compartilhar esse tipo de conteúdo, vale checar a informação diretamente no site da agência (gov.br/anvisa) ou pelos canais oficiais: telefone 0800 642-9782 ou formulário eletrônico. Quem encontrar publicações suspeitas também pode denunciá-las diretamente à Anvisa pelo canal Fala.BR.