Transmissão ocorre principalmente por secreções respiratórias, enquanto estresse, transporte e mistura de lotes favorecem a doença
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Foto: Tavynho Neto/Secom PI

A pneumonia bovina pode passar de um animal para outro, mas o desenvolvimento do quadro depende da combinação entre agentes infecciosos, ambiente e manejo. No Complexo Respiratório Bovino (CRB), vírus e bactérias podem atuar juntos, principalmente quando o gado enfrenta situações de estresse. Segundo o médico-veterinário Guilherme Vieira, os bovinos transmitem agentes respiratórios por meio de secreções eliminadas durante tosse e espirros. Além disso, a proximidade entre os animais e o compartilhamento de estruturas podem facilitar a disseminação.

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Por outro lado, os microrganismos não são os únicos responsáveis pelo problema. Desmame, transporte, mistura de lotes, aglomeração, poeira, mudanças de temperatura e ventilação inadequada também aumentam o risco de problemas respiratórios.

Como o complexo respiratório bovino evolui

O CRB reúne diferentes agentes infecciosos. Entre os vírus associados ao problema estão o Herpesvírus Bovino Tipo 1 (IBR), o Vírus da Diarreia Viral Bovina (BVDV), o Vírus Sincicial Respiratório Bovino (BRSV) e o vírus da Parainfluenza 3. Inicialmente, esses vírus podem enfraquecer as defesas do sistema respiratório. Depois, bactérias oportunistas aproveitam essa fragilidade e podem agravar o quadro.

Entre os principais agentes bacterianos relacionados ao CRB estão Mannheimia haemolytica, Pasteurella multocida, Histophilus somni e Mycoplasma bovis. Por isso, o produtor não deve considerar a pneumonia como resultado de um único microrganismo. Na prática, o quadro envolve a interação entre o animal, os agentes infecciosos e as condições de ambiente e manejo.

Bezerros e confinados exigem maior atenção

Os bezerros exigem atenção especial, sobretudo quando enfrentam períodos de estresse. Da mesma forma, animais recém-transportados ou recém-chegados ao confinamento ficam mais vulneráveis, principalmente quando o produtor mistura bovinos de diferentes origens. Nesse cenário, o transporte, o desmame, a mudança de ambiente e a formação de novos lotes podem reduzir as defesas do organismo. Além disso, a concentração de bovinos facilita a circulação de agentes respiratórios.

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Entre os principais sinais estão febre, tosse, corrimento nasal, apatia e redução do consumo de alimento. Portanto, o produtor deve acompanhar o lote de perto e procurar orientação veterinária ao identificar alterações. Quando bactérias provocam uma infecção secundária, o quadro pode se agravar. Por isso, o médico-veterinário deve avaliar o animal e definir o tratamento adequado.

Vacinação ajuda a prevenir o problema

A vacinação faz parte das estratégias de prevenção do Complexo Respiratório Bovino. No entanto, cada propriedade precisa definir o protocolo de acordo com a categoria dos animais, o histórico sanitário do rebanho, o risco de exposição e as recomendações do fabricante.

Além disso, o manejo exerce papel importante. O produtor pode reduzir os riscos ao diminuir situações de estresse, evitar misturas desnecessárias, controlar a poeira e manter boas condições de ventilação. No confinamento, o pré-condicionamento antes da entrada também pode contribuir para a prevenção.

Em lotes de maior risco, o veterinário ainda pode avaliar estratégias adicionais de controle, como a metafilaxia. Assim, o produtor deve combinar vacinação, manejo adequado, redução do estresse e identificação precoce dos sinais para diminuir os impactos das doenças respiratórias no rebanho.