Resumo da notícia
- O preço do leite ao produtor subiu 33% no 1º semestre de 2026 devido à oferta menor causada pela seca e frio, que reduziram a produtividade das pastagens e a captação do leite cru.
- O preço do leite no varejo avançou 23% no acumulado do ano, refletindo a alta na matéria-prima, enquanto as importações de laticínios cresceram mais de 33%, influenciando a dinâmica do mercado.
- A melhora na oferta de leite deve ocorrer a partir da primavera com a recuperação das pastagens, mas a pressão por preços altos pode continuar nas próximas semanas devido à demanda e estoques baixos.
O preço do leite pago ao produtor subiu 33% no primeiro semestre de 2026, segundo o Cepea. A oferta menor de leite cru levou os laticínios a pagar mais pela matéria-prima.
Além disso, a alta já chegou ao consumidor. No acumulado do ano, o preço do leite no varejo avançou 23%.
Entressafra reduz a oferta
A seca e o frio diminuem a produtividade das pastagens durante o inverno. Consequentemente, várias regiões produtoras registram menor disponibilidade de leite.
- Governo anuncia R$ 270 milhões para produtores de cana
- Pastagem perto de rodovia aumenta risco de atropelamento de animais, aponta estudo
Ao mesmo tempo, o consumo de bebidas e alimentos à base de leite costuma crescer nessa época. Assim, a demanda aquecida aumenta a disputa entre os laticínios pela matéria-prima.
Estoques reduzidos e captação menor também pressionam as negociações. Por isso, os preços continuam avançando no mercado interno.
Primavera pode aliviar preços
Paulo Martins, pesquisador da Embrapa Gado de Leite, espera uma mudança gradual no cenário a partir da primavera. A recuperação das pastagens deve melhorar as condições de produção e ampliar a oferta.
“Com a chegada da primavera, a recuperação das pastagens e a melhora gradual das condições de produção devem aumentar a oferta de leite”, afirma.
Ainda assim, a analista do Cepea Ana Paula Negri prevê novas altas nas próximas semanas. Depois, a oferta deve crescer gradualmente e aliviar a pressão sobre os preços.
Custos avançam menos
O custo de produção voltou a subir após uma sequência de quedas iniciada no começo do ano, de acordo com a Embrapa. No acumulado de 2026, os custos avançaram 2,6%.
Em 12 meses, o aumento chegou a 1,7%. No entanto, como os preços recebidos pelo produtor cresceram mais que os custos, a rentabilidade no campo melhorou.
Importações pressionam mercado
As importações de lácteos cresceram 9,01% na comparação mensal e alcançaram 236,3 milhões de litros em equivalente leite. O Cepea divulgou os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Na comparação anual, as compras externas avançaram 33,49%. Além disso, as importações de leite em pó e queijos aumentaram 7,54% e 12,7%, respectivamente.
Esse movimento deixou mais lentas as negociações de muçarela e leite em pó, segundo pesquisas do Cepea com apoio da OCB. Por outro lado, o leite UHT registrou alta de 7,35% em relação ao mês anterior.
As indústrias, portanto, continuam enfrentando dificuldades para repassar custos e preservar as margens. Nos próximos meses, o clima e a recuperação das pastagens devem definir o comportamento dos preços.