Estudo científico aponta que rotação de culturas, cobertura vegetal e sistemas integrados podem aumentar a capacidade de adaptação dos agroecossistemas.

As mudanças climáticas aumentam os desafios para a produção agrícola ao alterar temperaturas, chuvas e relações entre culturas, pragas, inimigos naturais e plantas daninhas. Por isso, pesquisadores defendem que o manejo considere também a capacidade das lavouras de resistir e se recuperar diante dessas alterações.

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A análise integra um artigo do professor Fabian Menalled, da Montana State University, e de outros pesquisadores. Décio Luiz Gazzoni, engenheiro agrônomo, membro da Academia Brasileira de Ciência Agronômica e do Conselho Científico Agro Sustentável, apresentou a discussão.

Manejo influencia a resiliência das lavouras

Os pesquisadores relacionam a resiliência das lavouras à capacidade dos agroecossistemas de suportar perturbações, recuperar funções e se adaptar a novas condições. Nesse sentido, sistemas agrícolas muito simplificados e dependentes de insumos externos podem apresentar maior vulnerabilidade diante de determinados riscos.

Por outro lado, estratégias como rotação de culturas, cobertura vegetal, plantio direto e integração entre diferentes atividades podem ampliar as alternativas de resposta do sistema e favorecer a resiliência agrícola.

A resistência e a resiliência, porém, não significam a mesma coisa. A resistência representa a capacidade de suportar uma perturbação sem sofrer grandes alterações. Já a resiliência dos agroecossistemas envolve a recuperação e a adaptação depois que o impacto ocorre.

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Análise de risco orienta as decisões

Além disso, o estudo propõe o uso de análises quantitativas de risco para comparar diferentes estratégias de manejo agrícola. A abordagem considera que uma alteração ambiental pode produzir efeitos diferentes conforme as relações entre organismos, condições climáticas e práticas adotadas na propriedade.

Assim, o planejamento agrícola pode avaliar não apenas o desempenho de uma lavoura em condições normais, mas também sua capacidade de responder a períodos de estresse ou outras perturbações.

Adaptação depende também de políticas

Ao mesmo tempo, os pesquisadores ampliam a discussão para além da propriedade rural. Segundo o estudo, fatores econômicos, sociais e políticos também interferem na capacidade dos sistemas agrícolas de se adaptar às mudanças climáticas.

Os autores defendem uma governança policêntrica, modelo que distribui decisões entre diferentes atores e permite maior participação na formulação de estratégias. Dessa forma, políticas públicas e ações de diferentes setores da cadeia de alimentos podem contribuir para reduzir riscos, favorecer a adaptação climática e apoiar a segurança alimentar.

A proposta é integrar manejo agrícola, avaliação de riscos e políticas de adaptação para aumentar a capacidade dos agroecossistemas de responder às mudanças climáticas.