Parece contraditório: a JBS S.A. caminha para se tornar uma companhia de capital fechado no Brasil, mas a JBS continuará presente na B3.
As duas informações estão corretas.
- JBS aprova fechamento de capital no Brasil; entenda o que muda
- JBS investe US$ 37 milhões em biotecnologia para novas proteínas
A explicação está em uma mudança societária que começou antes do comunicado divulgado nesta segunda-feira (21). O grupo reorganizou sua estrutura para negociar ações nos Estados Unidos e manter papéis disponíveis aos investidores brasileiros.
O Agro em Campo explica como essa engrenagem funciona.
O que a JBS está fechando
A JBS S.A. pediu à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) o cancelamento voluntário de seu registro como emissora de valores mobiliários na categoria A.
Segundo a companhia, o procedimento teve a anuência da totalidade dos acionistas e dos demais titulares de valores mobiliários envolvidos.
Com a conclusão do processo, a JBS S.A. passará a ser uma sociedade anônima de capital fechado.
Isso, porém, não significa o desaparecimento da JBS da Bolsa brasileira.
A diferença está em quem ocupa hoje o topo da estrutura acionária.
A empresa mudou de endereço societário

A explicação, porém, vai além do comunicado desta semana.
A JBS N.V., constituída nos Países Baixos, tornou-se a companhia que concentra a negociação das ações do grupo. Suas ações Classe A são negociadas diretamente na Bolsa de Nova York, a NYSE.
No Brasil, o investidor não compra mais uma ação da antiga JBS S.A. como ocorria antes da reorganização.
Ele negocia BDRs da JBS N.V., identificados pelo código JBSS32.
O BDR funciona como um certificado negociado no Brasil que representa um valor mobiliário emitido no exterior.
Por isso, é justamente essa diferença que permite à JBS S.A. caminhar para o capital fechado sem que a marca desapareça das telas dos investidores da B3.
Por que a JBS montou essa estrutura
A explicação vai além do comunicado desta semana.
Quando apresentou o projeto de dupla listagem, a própria JBS afirmou que pretendia criar uma estrutura capaz de refletir melhor sua presença global e suas operações internacionais, além de apoiar sua estratégia de crescimento.
Nesse sentido, a decisão faz sentido quando se observa o tamanho internacional alcançado pelo negócio.
Afinal, a companhia deixou há muito tempo de ser apenas um frigorífico brasileiro com exportações. Hoje, a operação reúne negócios e ativos em diferentes países e mercados consumidores.
Com isso, a mudança deslocou o centro da estrutura acionária para uma companhia internacional e, ao mesmo tempo, preservou uma porta de entrada para investidores brasileiros.
O que realmente muda agora
O pedido apresentado à CVM funciona, portanto, como uma etapa posterior dessa reorganização.
A JBS S.A. permanece dentro do grupo, mas deixa de ocupar o papel que tinha quando suas próprias ações estavam diretamente listadas na B3.
Há também uma consequência para determinados títulos de dívida.
As debêntures da 12ª emissão da JBS S.A. passarão a enfrentar restrições de negociação. O comunicado informa que esses papéis poderão ser negociados exclusivamente entre investidores profissionais.
A escritura da emissão deverá ser modificada para refletir essa condição.
A JBS saiu da Bolsa brasileira?
Não.
Essa é a distinção essencial.
Quem caminha para se tornar uma companhia fechada é a JBS S.A.. Já a exposição acionária ao grupo permanece disponível na B3 por meio dos BDRs da JBS N.V.
Nos Estados Unidos, as ações Classe A da JBS N.V. continuam negociadas na NYSE.
Por isso, dizer simplesmente que “a JBS saiu da Bolsa” mistura duas empresas juridicamente diferentes dentro da mesma estrutura empresarial.
O pedido apresentado nesta semana fecha uma etapa regulatória da reorganização. A efetivação ainda depende da análise da CVM.