Resumo da notícia
- O Brasil entrou oficialmente no circuito internacional dos grandes fóruns estratégicos do agronegócio com o 1º Outlook Agro Brasil, reunindo líderes e especialistas para debater o futuro do setor e comércio global.
- O agronegócio responde por metade das exportações brasileiras, sendo fundamental para o desenvolvimento econômico e a segurança alimentar global, além de gerar biocombustíveis e preservar o meio ambiente.
- A diplomacia brasileira reforça a abertura de mercados, com mais de 600 mercados externos abertos para o agronegócio, ampliando oportunidades de cooperação e competitividade no comércio internacional.
O Brasil passou a integrar oficialmente o circuito internacional dos grandes fóruns estratégicos de análise do agronegócio nesta quinta-feira (30), em Brasília. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) promoveram o 1º Outlook Agro Brasil. O evento reuniu lideranças, pesquisadores e especialistas brasileiros e estrangeiros para discutir o futuro do setor e os rumos do comércio global de alimentos.
O encontro busca posicionar o país entre os principais centros internacionais de inteligência do agronegócio. Representantes do governo brasileiro dividiram o palco com nomes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Além de especialistas de instituições como o CME Group e a Universidade Agrícola da China.
Agronegócio já responde por metade das exportações brasileiras
Na abertura do evento, o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, destacou o peso do agronegócio, que hoje representa cerca de 50% das exportações do país. Ele associou diretamente a agricultura ao desenvolvimento econômico brasileiro e defendeu que, sem o setor, o país não sustentaria sua atual política de exportações.
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Müller também reforçou a posição do Brasil como parceiro comercial estável em meio à crescente incerteza global. E citou a disposição do país para negociar acordos internacionais e reduzir barreiras comerciais. Segundo ele, o Brasil ocupa um lugar raro no cenário mundial: consegue produzir alimentos para a segurança alimentar global, gerar biocombustíveis, capturar carbono e preservar o meio ambiente simultaneamente.
A diretora-executiva da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Tânia Zanella, complementou o painel de abertura ao destacar a contribuição brasileira para alimentar o mundo. Ela apontou que o cooperativismo agropecuário movimenta cerca de R$ 490 bilhões por ano e gera aproximadamente 700 mil empregos diretos no país. Somente em 2025, as cooperativas do setor exportaram mais de US$ 17 bilhões para mais de 180 países.
Diplomacia e governo reforçam abertura de mercados
O embaixador Alex Giacomelli, secretário de Promoção Comercial, Ciência, Tecnologia, Inovação e Cultura do Itamaraty, afirmou que a diplomacia brasileira mantém compromisso direto com a competitividade do país e com a ampliação de oportunidades de cooperação internacional.
O ministro da Pesca e Aquicultura, Rivetla Edipo Araujo, citou a abertura de mais de 600 mercados para o agronegócio brasileiro no exterior. E dos quais 19 pertencem especificamente ao setor de pesca e aqüicultura. Um número que, segundo ele, ainda pode crescer.
Já o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias, celebrou os resultados recentes da produção agrícola brasileira e sua inserção no comércio exterior. Ele associou a força do agro à possibilidade de o país avançar em desenvolvimento social, distribuição de renda e inclusão, mesmo diante de crises externas.
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, encerrou a fala institucional defendendo a ampliação de novos mercados a partir da credibilidade já conquistada pelos produtos brasileiros.
USDA e FAO trazem panorama do comércio agroalimentar global
Ao longo do dia, especialistas discutiram os efeitos das tensões geopolíticas, das mudanças econômicas e das novas dinâmicas dos mercados globais sobre a produção e o comércio agroalimentar. O economista-chefe do USDA, Justin Benavidez, abriu os debates internacionais com uma análise sobre as perspectivas da economia agrícola mundial, apontando como a volatilidade econômica e os conflitos geopolíticos vêm alterando os fluxos de produção e exportação de alimentos.

Em seguida, o diretor da Divisão de Economia Agroalimentar da FAO, David Laborde; o professor Shenggen Fan, da Universidade Agrícola da China; o diretor do CME Group, Mark Shore; e o gerente de Inteligência de Mercado da ApexBrasil, Gustavo Ribeiro, apresentaram dados sobre a reorganização das cadeias globais de suprimentos e os desafios de segurança alimentar. O grupo reforçou a importância da inteligência de mercado para antecipar tendências e apoiar decisões estratégicas de inserção internacional.
Painéis debatem estratégia comercial e mudanças no consumo
O painel “O Brasil no Novo Cenário Global: Estratégia e Oportunidades” reuniu representantes do Mapa, do MDIC e da ApexBrasil. O objetivo foi discutir a presença brasileira em mercados estratégicos e o papel da diplomacia comercial na competitividade das exportações.
As transformações nos hábitos de consumo também ganharam espaço na programação. Representantes da Euromonitor e da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) discutiram tendências da demanda global por alimentos, ligadas à valorização da sustentabilidade, da rastreabilidade e da conveniência. Para os painelistas, entender as expectativas dos consumidores se tornou fator decisivo para a diferenciação de produtos e a conquista de novos mercados.
Safra 2026/27 depende de clima, fertilizantes e gestão de riscos
A agenda técnica dedicada à próxima safra reuniu a meteorologista do Inmet, Marcia Seabra; o pesquisador da Embrapa, Eduardo Monteiro; o assessor do Mapa, Rafael Vivian; e o gerente-geral da Bolsa de Cereais de Buenos Aires, Ramiro Costa. O grupo apresentou análises sobre perspectivas climáticas, disponibilidade de fertilizantes e tendências para a produção agrícola sul-americana. Destacando que o monitoramento de variáveis climáticas e de mercado se tornou determinante para a competitividade do setor.
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No encerramento, representantes de entidades como ABIEC, ABRAPA, UNEM, BSCA, ABPA, ABIPESCA e ABRAFRUTAS avaliaram os desafios do crescimento das exportações brasileiras. O grupo concluiu que a ampliação da presença internacional dos produtos do país dependerá da combinação entre competitividade, inovação, sustentabilidade, inteligência de mercado e articulação institucional.
África e Ásia despontam como novos mercados estratégicos
O secretário-executivo do Mapa, Cleber Soares, e o gerente de Agronegócios da ApexBrasil, Pedro Netto, encerraram o evento com uma síntese dos debates. Netto apontou África e Ásia como mercados de interesse crescente, impulsionados pelo crescimento populacional dessas regiões. E reafirmou a China como um dos principais parceiros comerciais do Brasil.
Cleber Soares defendeu o investimento em mecanismos que aumentem a precisão das previsões do setor, com uso de modelos e ferramentas para antecipar cenários externos. Ele encerrou o fórum com um alerta sobre o déficit de alimentos no mundo, defendendo um chamamento global para enfrentar os desafios da segurança alimentar, energética e climática.









