Mercados da Ásia, Oriente Médio e América Latina buscam animais de reposição, enquanto o Brasil amplia exportações de bovinos vivos e genética adaptada ao clima tropical
novilhas
Foto: Pereira, Luiz Gustavo/Embrapa.

Uma nova demanda internacional por novilhas leiteiras começa a abrir espaço para fornecedores de animais de reposição. Mercados da Ásia, Oriente Médio e América Latina procuram fêmeas jovens para ampliar ou renovar seus rebanhos, enquanto a Austrália já avança nesse comércio. Nesse cenário, o Brasil pode aproveitar a oportunidade, principalmente pela experiência na exportação de bovinos vivos e pela genética adaptada ao clima tropical.

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O movimento foi destacado pelo portal australiano Beef Central, com base em informações do Australian Livestock Exporters’ Council (ALEC). Segundo a entidade, Turquia, Filipinas, México, Paquistão, Emirados Árabes Unidos, Indonésia e Malásia estão entre os mercados interessados. Em 2025, produtores australianos forneceram novilhas Holandesas de reposição ao México, que enfrentava dificuldades para encontrar animais adequados entre fornecedores tradicionais.

Brasil já exporta bovinos vivos

O Brasil parte de uma posição relevante. No primeiro semestre de 2026, as exportações de bovinos vivos movimentaram US$ 837,1 milhões e somaram 285,5 mil toneladas, segundo dados da Secretaria de Agricultura de Goiás. Na comparação com o mesmo período de 2025, a receita aumentou 85,2% e o volume cresceu 54,6%.

Esses números, porém, incluem animais destinados a diferentes finalidades. A oportunidade está em ampliar a participação de bovinos de maior valor agregado, especialmente aqueles destinados à reprodução e formação de rebanhos leiteiros.

A Indonésia merece atenção nesse cenário. O país aparece entre os mercados citados pela indústria australiana e, em agosto de 2025, o governo brasileiro informou a conclusão das negociações sanitárias que permitiram a exportação de bovinos vivos para reprodução ao mercado indonésio.

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Genética tropical pode favorecer o país

Outro diferencial está na genética bovina adaptada ao clima tropical. O Brasil desenvolveu sistemas que combinam raças especializadas e cruzamentos capazes de conciliar produção de leite, rusticidade e adaptação ao calor. Essa experiência pode interessar a países da Ásia, África, Oriente Médio e América Latina com condições climáticas semelhantes.

Ainda assim, a adaptação não garante vantagem comercial. Cada mercado estabelece exigências próprias de sanidade, alimentação, manejo, produtividade e características dos animais.

O interesse pela genética brasileira, entretanto, já avançou. Em maio de 2026, o Ministério da Agricultura informou que o país havia conquistado 40 novos mercados para material genético bovino e bubalino em três anos e meio.

Mercado exige estrutura

Transformar esse potencial em negócios exige cumprir requisitos sanitários, quarentena, logística, bem-estar animal e protocolos específicos de cada país. Por isso, a abertura de um mercado não garante, por si só, uma participação relevante do Brasil.

Mesmo assim, o cenário merece atenção. Enquanto países procuram animais para renovar seus rebanhos leiteiros, o Brasil reúne experiência em exportação de bovinos vivos e genética desenvolvida em condições tropicais. O próximo passo é transformar essa capacidade em animais de maior valor agregado para o comércio internacional.