Levantamento revela os vilões do prato do brasileiro no primeiro semestre; saiba quais itens puxaram a alta. 
Impacto dos impostos na cesta básica é alto.
Foto: Rodarte/Agro em Campo

O custo de vida nas capitais brasileiras apresentou comportamentos distintos em junho, mas o balanço do primeiro semestre de 2026 revela um cenário de alerta para o consumidor. Fortaleza liderou a inflação da cesta básica no período, com uma alta acumulada de 10,34%, enquanto São Paulo se consolidou como a cidade mais cara do país, sendo a única a superar a marca de R$ 1.000,00.

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De acordo com os dados da Cesta de Consumo Neogrid & FGV IBRE, junho registrou altas em seis das oito capitais analisadas. Fortaleza também encabeçou o aumento mensal (+3,30%), elevando o preço médio para R$ 960,40, impulsionada principalmente pelos preços da carne bovina e do feijão.

São Paulo: a cesta mais cara do país

A capital paulista registrou alta de 0,96% em junho, atingindo o valor médio de R$ 1.010,55. Embora o ritmo de crescimento tenha desacelerado em relação a maio, São Paulo mantém o posto de maior custo médio entre as cidades monitoradas. No acumulado do semestre, a alta paulistana chega a 6,01%, com uma aceleração mais nítida a partir de abril.

tabela de preços da cesta básica
Preços médios da cesta de consumo básica em junho/26, por capital

Rio de Janeiro e Belo Horizonte trazem alívio pontual Na contramão da tendência de alta, o Rio de Janeiro apresentou a maior queda do mês de junho (-1,60%), com o valor recuando para R$ 974,51. Apesar da redução, a capital fluminense ainda detém a segunda cesta básica mais cara do levantamento.

Variação acumulada da cesta de consumo básica
Variação acumulada da cesta de consumo básica em junho/26, por capital

Já Belo Horizonte permanece como a capital com o menor custo médio, registrando queda de 1,02% em junho, o que fixou o valor da cesta em R$ 761,97. No entanto, mesmo com o menor preço nominal, a capital mineira acumula uma alta de 6,20% no semestre.

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Os vilões e os aliados do orçamento

O feijão e os legumes continuam como os principais responsáveis pela pressão nos preços. Em Manaus, os legumes dispararam 39,78% em apenas um mês, enquanto em Brasília o feijão subiu 25,16%. Fortaleza registrou o maior aumento na carne bovina, com alta de 16,03%.

Maiores variações de preços da cesta básica em junho/2026, por capital.

Por outro lado, alguns itens ajudaram a conter os custos:

Frutas: tiveram queda expressiva em Salvador (-7,75%).

Café: Curitiba registrou o maior recuo no preço do produto (-6,24%).

Açúcar: o Rio de Janeiro apresentou a maior queda neste item (-5,77%).

Visão do Especialista

Marcelo Alves, Head de Insights da Neogrid, destaca que a inflação atual não é uniforme e reflete choques locais de oferta e logística. Portanto, para o especialista, o varejo precisa investir em abastecimento inteligente e dados para antecipar essas oscilações de demanda e garantir que os produtos essenciais cheguem ao consumidor sem rupturas críticas.

Destaques por capital:

  • Belo Horizonte: verduras (+9,04%), água sanitária/alvejante (+2,13%);
  • Brasília: biscoito (+3,46%), refrigerante (+1,13%);
  • Curitiba: verduras (+16,85%), água sanitária/alvejante (+4,87%);
  • Fortaleza: detergentes (+4,41%), verduras (+4,26%);
  • Manaus: verduras (+4,78%), biscoito (+4,38%);
  • Rio de Janeiro: verduras (+2,71%), detergentes (+1,91%);
  • Salvador: verduras (+5,51%), biscoito (+2,76%);
  • São Paulo: verduras (+5,44%), detergentes (+3,31%).

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