Resumo da notícia
- O jejum pré-abate de 12 a 18 horas reduz o conteúdo digestivo dos bovinos, aumentando o rendimento da carcaça e melhorando a higiene no frigorífico ao diminuir riscos de contaminação.
- Além de elevar o rendimento, o jejum controla a pressão no trato digestivo, prevenindo rupturas e vazamentos que comprometem a qualidade da carne e causam perdas no abate.
- A prática deve ser bem planejada, considerando transporte e manejo, mantendo água disponível e evitando jejum superior a 24 horas para preservar o bem-estar e a qualidade do produto final.
O jejum pré-abate de bovinos, quando feito entre 12 e 18 horas antes do abate, aumenta o rendimento de carcaça e reduz o risco de contaminação no frigorífico. A estratégia funciona ao diminuir o conteúdo do trato digestivo, especialmente do rúmen, o que torna o cálculo de rendimento mais fiel e protege a higiene da carcaça.
Essa prática vai além de uma simples interrupção da alimentação: ela influencia o bem-estar animal, a segurança do processo de abate e o resultado econômico do confinamento ou sistema de terminação. Quando bem planejado, o jejum reduz o “peso morto” do alimento em digestão, facilita o transporte e diminui riscos sanitários no frigorífico.
Por que o jejum muda o rendimento
O conteúdo ruminal pode representar até 15% do peso vivo total do animal. Com a retirada do alimento sólido por 12 a 18 horas (mantendo o acesso à água), esse volume é reduzido de forma controlada. Como resultado, o animal pesa menos na balança do abatedouro, mas a carcaça não é afetada, o que eleva a relação entre peso de carcaça e peso vivo, ou seja, o rendimento.
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Em termos práticos, um bovino de 550 kg com o rúmen cheio pode carregar cerca de 60 kg de conteúdo digestivo. Após o jejum adequado, o peso vivo pode cair para algo como 490 kg. Assim, se a carcaça tiver 280 kg, o rendimento passa de 50,9% (280 ÷ 550) para 57,1% (280 ÷ 490).
O que ganham produtor e frigorífico
Além do ganho no indicador de rendimento, frequentemente usado na negociação com o frigorífico, o jejum bem conduzido diminui a pressão sobre o sistema digestivo no momento do abate. Dessa forma, reduz a chance de rupturas e vazamentos que poderiam comprometer a higiene da carcaça. Em outras palavras, menos contaminação significa menos retrabalho, menos perdas e mais previsibilidade no processo.
A recomendação técnica é manter os bovinos em jejum de alimento sólido por 12 a 18 horas antes do abate, com água disponível à vontade. Esse intervalo é suficiente para esvaziar parcialmente o trato digestivo sem comprometer o bem-estar.
No entanto, acima de 24 horas, o cenário muda: o jejum prolongado pode causar estresse, perda real de peso e queda na qualidade da carne. Em situações de manejo inadequado no pré-abate, incluindo jejum excessivo, transporte longo sem descanso e superlotação em currais de espera, há maior risco de problemas que afetam a carne e o rendimento.
Como aplicar no campo e no transporte
Para transformar a recomendação em rotina, o ponto de partida é o planejamento do fluxo: embarque, tempo de viagem, chegada ao frigorífico e entrada na linha de abate. O jejum deve ser contado a partir da retirada do alimento sólido até o momento do abate e não apenas até o embarque.
Na prática, isso exige:
- coordenar a retirada de alimento com o horário previsto de abate;
- garantir acesso à água durante todo o período de jejum;
- evitar superlotação e brigas nos currais de espera;
- reduzir estresses no manejo (movimentação calma, instalações sem pontas ou bordas cortantes, condutores treinados).
Esses cuidados de bem-estar não são apenas éticos: eles protegem o rendimento e a qualidade da carne, evitando perdas que começam antes mesmo do abate.
Se o jejum se estende demais ou é mal conduzido, os efeitos aparecem no animal e na carne. Estresse, perda de peso real e alterações no pH pós-abate estão entre as consequências que podem prejudicar a qualidade final. Por isso, a regra é clara: seguir o intervalo de 12 a 18 horas, manter a água e tratar o pré-abate como etapa crítica de manejo, não como mera formalidade.