Resumo da notícia
- As exportações brasileiras para os 22 países árabes cresceram 5,75% até agosto de 2026, totalizando US$ 13,38 bilhões, impulsionadas pelo Norte da África e Levante, com destaque para Egito e Jordânia.
- As vendas para os países do Golfo aumentaram 16,83% em agosto, alcançando US$ 6 bilhões no acumulado, com Emirados Árabes e Arábia Saudita como principais mercados do Brasil na região.
- O agronegócio lidera as exportações para o mundo árabe, somando quase US$ 10 bilhões, com avanços expressivos em carne, açúcar, cereais e soja, especialmente em Iêmen e Omã.
As exportações brasileiras para os 22 países árabes cresceram 5,75% entre janeiro e agosto de 2026 e alcançaram US$ 13,38 bilhões, segundo dados da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB). O resultado reflete o bom desempenho das vendas no Norte da África e no Levante, região que vai da Palestina ao Iraque, onde a demanda por produtos brasileiros segue aquecida.
No Norte da África, as receitas avançaram 13,75%, para US$ 5,674 bilhões, puxadas pela demanda por alimentos nos maiores mercados. O Egito, principal destino, registrou alta de 34,70%, atingindo US$ 2,518 bilhões. A Argélia, segundo maior mercado da sub-região, cresceu 6,61%, para US$ 1,634 bilhão.
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- Frutas brasileiras enfrentam novas exigências para exportar
Nos países do Levante, o crescimento foi de 7,14%, totalizando US$ 1,704 bilhões. A Jordânia se destacou com salto de 55,23%, alcançando US$ 489,76 milhões. Analistas indicam que o país tem servido como rota alternativa para triangular produtos por terra com destino ao Iraque, cujo acesso marítimo enfrenta restrições devido ao conflito no Estreito de Ormuz.
Golfo recupera terreno em agosto
As vendas para os países do Golfo cresceram 16,83% somente em agosto. Com isso, o acumulado do período chegou a US$ 6,001 bilhões, praticamente igual ao registrado no mesmo intervalo de 2025. Nos Emirados Árabes Unidos, maior mercado árabe para produtos brasileiros, as exportações subiram 6,77%, para US$ 2,358 bilhões. Na Arábia Saudita, segundo colocado no ranking, o avanço foi de 14,80%, atingindo US$ 2,150 bilhões.
“De forma geral, os números mostram que o comércio do Brasil com os países árabes segue resiliente e encontra novas formas de driblar limitações”, analisa o secretário-geral da CCAB, Mohamad Orra Mourad. Ele observa um movimento de reacomodação, com exportadores brasileiros conquistando novos espaços no mundo árabe.
Agronegócio lidera pauta com quase US$ 10 bi
Os produtos do agronegócio, que representam 75% da pauta exportadora para os árabes, avançaram 6,81% no período, totalizando US$ 9,897 bilhões. O crescimento ocorreu no Norte da África, no Levante e até no Golfo, onde as vendas subiram 2,19%, para US$ 3,852 bilhões. Os maiores crescimentos na região foram registrados no Iêmen e em Omã.
No Iêmen, somente na pauta do agro, a alta foi de 52,08%, para US$ 270,56 milhões. Em Omã, o avanço chegou a 53,73%, atingindo US$ 292,85 milhões. Empresas marítimas atribuem o resultado ao uso desses países para contornar Ormuz por meio do chamado “fluxo mar-terra-mar”, no qual cargas são descarregadas em portos do Golfo de Omã e do Mar Arábico e seguem por rodovia até outro porto no Golfo.
Frango se destaca
A pauta do setor teve como principais produtos carnes, açúcar, cereais e soja. Nesse grupo, o frango se destacou. As vendas de agosto ajudaram a reduzir a queda registrada no primeiro semestre. Os números, que chegava a quase dois dígitos, caiu para apenas 4,55%. De janeiro a agosto, as receitas com frango somaram US$ 2,169 bilhões. A Arábia Saudita, maior mercado do produto, avançou 10,22%, para US$ 697,83 milhões.
A carne bovina também segue em alta no mundo árabe. No período, as vendas cresceram 20,23%, totalizando US$ 1,177 bilhão, com avanço nos três maiores mercados. O maior crescimento ocorreu na Arábia Saudita, com alta de 56,66%, para US$ 296,79 milhões. Em seguida vêm Egito, com avanço de 28,64%, para US$ 254,68 milhões, e Emirados Árabes Unidos, com crescimento de 5,40%, para US$ 127,35 milhões.
“Seguimos com a perspectiva de poder encerrar o ano com ligeira alta nas receitas de exportação sobre 2025, num patamar muito próximo do melhor resultado de todos os tempos, que foi alcançado em 2024, quando as exportações brasileiras para os árabes somaram quase US$ 24 bilhões”, afirma Mourad.