Resumo da notícia
- O Brasil lidera mundialmente com 77,8 milhões de descargas elétricas anuais, influenciado pelo clima tropical e localização geográfica, segundo o INPE.
- Bovinos são grandes vítimas, com quase 3 mil mortes por raios entre 2010 e 2019, causando prejuízos estimados em R$ 15 milhões aos criadores.
- Animais buscam abrigo em árvores isoladas durante tempestades, aumentando o risco de eletrocussão; seguro pecuário oferece proteção contra esses prejuízos.
O Brasil registra cerca de 77,8 milhões de descargas elétricas para o solo a cada ano Inpe, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). A posição geográfica do país e o clima tropical explicam a liderança mundial no fenômeno. A República Democrática do Congo aparece em segundo lugar, com 43,2 milhões de raios anuais, seguida pelos Estados Unidos, com 35 milhões.
Tocantins lidera o ranking estadual com maior densidade de raios, registrando 19,8 descargas por quilômetro quadrado ao ano. Amazonas, Acre, Maranhão e Pará completam as posições seguintes. As regiões Norte e Centro-Oeste concentram os maiores índices devido às condições climáticas favoráveis à formação de tempestades.
Bovinos entre as principais vítimas das descargas atmosféricas
Levantamento do INPE aponta que entre 2010 e 2019 morreram 2.973 cabeças de gado atingidas por raios no Brasil. O número representa perdas 3,3 vezes maiores que as mortes humanas pelo mesmo fenômeno no período analisado.
- Brasil exporta 33,7 milhões de toneladas de açúcar em 2025 e mantém liderança global
- Só muda o tamanho: onças-pintadas miam como gatos no Parque do Iguaçu
Diferentemente dos casos envolvendo pessoas, onde geralmente morre uma vítima por evento, no caso dos animais a média é de 18 cabeças de gado por ocorrência. A perda estimada pelas mortes dos animais no período alcança cerca de R$ 15 milhões, com prejuízo médio de R$ 5 mil por animal aos criadores.
Mato Grosso lidera o ranking dos dez estados com maior número de mortes de animais, registrando 437 óbitos, seguido por São Paulo (361) e Mato Grosso do Sul (358). Tocantins, Rondônia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás e Paraná completam a lista, totalizando 86% das mortes no país.
Comportamento animal aumenta vulnerabilidade aos raios
Os bovinos buscam proteção da chuva embaixo de árvores isoladas nos pastos, que também funcionam como pontos de atração para as descargas elétricas. Quando o raio atinge a árvore, a corrente elétrica percorre o solo e eletrocuta os animais que estão ao redor.

O maior número de animais mortos por um único raio foi de 103 bovinos, em 16 de março de 2018, em Cacoal (RO). Os animais tentavam se abrigar embaixo de uma árvore durante a tempestade quando foram atingidos.
As estações de primavera e verão concentram a maior parte das mortes (67%), períodos mais quentes do ano com maior número de tempestades e raios. Estas também são as épocas de maior disponibilidade de pastagens para alimentação animal.
Seguro pecuário oferece proteção contra prejuízos
O seguro pecuário mitiga riscos com a cobertura “Eletrocussão, Incêndio, Insolação e Raio”, que considera qualquer ocorrência de raios e contato do animal com fios de alta tensão.
O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) permite subvencionar até 40% do prêmio do seguro pecuário, limitado ao valor máximo de R$ 24 mil ao ano por CPF cadastrado. O subsídio governamental torna a contratação mais acessível aos produtores rurais.
Segundo o INPE, 26% das fatalidades com raios acontecem em áreas rurais. A exposição constante dos trabalhadores e animais a céu aberto aumenta a vulnerabilidade.
Instalações elétricas adequadas reduzem riscos
Especialistas recomendam aterramentos corretos a cada 200 metros de cerca, com instalação adequada de para-raios. Profissionais estimam que 90% das cercas rurais estão mal instaladas, com reaproveitamento de metal oxidado e aterramentos inadequados.
- Turismo cultural cresce no Noroeste gaúcho com o Memorial da Evolução Agrícola
- Custos da pecuária leiteira sobem 3% em 2025
Projeções do INPE indicam que entre 2081 e 2100 o Brasil deve aumentar de 70 para 100 milhões a ocorrência de raios ao ano. A Região Norte deve liderar o crescimento, com aumento de 50% na incidência de descargas elétricas.